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"Aniqüilidor, a gente gostaria de te ajudar, mas não temos mais telefones e está evidente que você não tem perfil para trabalhar com atendimento ao público..."
Mais uma celebridade tem um momento de desabafo diante da indiscrição dos fotógrafos sensacionalistas! Desta vez foi o Deus do Trovão que, pressionado pelos paparazzi, fez um apelo por sua privacidade.
"Aff! Quero ar! Ar! Vofês esfão me sfufocaaaaaandu!"
É assim mesmo, eles ficam um pouquinho famosos e não páram mais nem pra dar um autógrafo!
Acho que todo mundo já sacou que o "Bully Says: Comics Oughta Be Fun!" é o blogue que este aqui quer ser quando crescer. Mas ontem ele se superou, ainda estou me recopondo de tanto rir! Não perdam!
Festejados leitores, retorno ao púlpito desta casa para concluir os comentários à primeira história do Homem de Ferro publicada no Brasil, que desde aquele tempo já era o país do futuro. No capítulo anterior, o campeão do mundo livre voava a toda em direção à Irlanda para uma missão da mais alta relevância para o Ocidente! Livrar o mundo da ameaça comunista? Não! Salvar o amor de Felisberto e Pimentinha! Mas se ele pensa que vai ser tão fácil quanto chutar a bunda do Dínamo Escarlate, é melhor mandar servir um Dreher assim que chegar lá, pois Felisberto não está muito para terapia de casal...
É, ninguém gosta do Homem de Ferro, pelo visto. Também, isso lá é papel de super-herói? Bancar o alcoviteiro transatlântico? A verdade é que já não há muito o que fazer por essa história e sou estou tentando pra dar um desfecho. E deve ser por isso mesmo que o Homem de Ferro resolve se sentar e pensar na morte da bezerra.
Que dilemas pungentes! Que momento dramático! Não é muita crueldade o Visionário Ex-Conde Nefaria resolver atacar logo agora? Acho que este guarda nunca se apaixonou!
Mas este Stark é um bebum mesmo, um momentinho que ele senta no tamborete e já vai pegando no sono? Vai tomar um café forte, uma ducha gelada!
Bom, vocês já sabem, a partir daqui é o que a garotada gosta, o Homem de Ferro luta com os inimigos imaginários teleguiados pelo video-game do Visionário.
Aí tem de tudo, voadora...
pilão...
Gancho de esquerda nas costelas...
E muitos diálogos edificantes! Claro, nada que chegue a ser um problema para o herói da livre iniciativa, afinal, não passam de uns "moleirões" e "bobalhões":
Uau! Isso é um passeio! Será que estes inimigos do Homem de Ferro formavam uma trupe de pastelão ou é o Visionário que não sabe jogar seu video-game?
Lembra alguém?
Que vilão ameaçador...
Mas o Homem de Ferro esqueceu de sua contraparte soviética. Ao que parece, o Dínamo Escarlate ainda tem muita brasa pra queimar:
Circuito transistorizado. Acho que essa era noção high tech da época. Mas agora dou-me conta que a tradução da Ebal está chamando este cara de "Dínamo Fantástico". Olha, eu não tô maluco não, o nome dele no original é "Crimson Dynamo". Só posso imaginar dois motivos para esta modificação: 1) dada a época da Ditadura Militar, creio que o editor da revista podia ter algum receio em fazer constar qualquer personagem que fosse expressamente vermelho, escarlate, carmim, mesmo que este cara fosse o vilão (algo do tipo, "é melhor nem tocar no assunto..."); 2) talvez o contínuo fosse esquerdista e não quisesse que as crianças da época associassem o cara malvado com o ideal da luta armada.
Bem, comunista ou não, Stark vai deixar claro que o Dínamo Vermelho é um amador que não investiu em patentes e que não tem competência pra se estabelecer numa economia de mercado:
Cara, como o Homem de Ferro é escroto...
Bem, mas tudo isso é faz de conta, na verdade quem está tomando um sacode no Marvel Ultimate Alliance é o Visionário, que vai dar mais um piti e fazer o sistema dar pau:
Sonhador? Não era Visionário? Ou ex-Conde Nefária? Xi, este cara é meio "isquisofrêniu", viu?
Bem, o Windows Vista do Visionário já era e nosso herói desperta, sem fazer idéia de que enfrentou dos braços de Orfeu um dos mais perigosos adversários de sua carreira: um designer de games. Claro, para ele foi só mais uma cochilada, afinal, ele anda trabalhando demais... no bar:
Claro, nunca aconteceu. Conheço bem suas vitaminas...
Mas e Felisberto e Pimentinha, Tony? Você veio da Irlanda pra ficar dormindo ou para reconciliar os dois pombinhos?
Ha, Homem de Ferro, você é um zero à esquerda! Passa a própria história dormindo, lutando contra adversários virtuais teleguiados por um sedentário chiliquento e ainda cruza o atlântico por conta de um problema que não é seu e que a sua Secretária resolve com um telefonema! Agora eu sei porque é que você bebe!
Bem, vamos mandando brasa, que Tony Stark tira onda! O ano é 1967, a edição é Capitão Z n. 0, um oferecimento dos Postos Shell e da EBAL - Editora Brasil-América Limitada. Nossa história abria com uma cena eletrizante em que o herói se via encurralado por alguns de seus maiores inimigos que se reuniram para lhe dar uma sova. Então, seguimos para a próxima página a espera de quê? Raios? Tiros? Explosões? Socos? Pontapés? Desaforos? Não, o que a gente se depara é com isto:
Hein? Será que eu troquei os gibis? Isso aqui é história de super-herói ou fotonovela romântica?
Detalhe 1: O narrador reconhece que isso não faz nenhum sentido e começa a história com um humilde e embaraçado "Pois é..."
Detalhe 2: "Temperamental" rimando com "nada é igual". Não parece letra da Jovem Guarda?
Bom, vamos ver que tipo de conclusões vamos tirar daqui...
Teste?! que teste?
Explosão?! que explosão?
E aí, leitor, tirou alguma conclusão? Imagine a juventude da época, que nunca tinha posto os olhos num gibi da marvel! Essa moça aí, pra quem ficou babando com a elegância e eficiência de Gwyneth Paltrow no filme, é a própria Pepper Potts, a secretária pessoal de Tony Stark, a qual, supostamente, ele ainda não comeu.
Pausa para a fala de Jack Palance: - Acredite... se quiser...
Enfim, esta é Pepper Potts, no Brasil, "Pimentinha", que, além de adequada tradução, na época devia ser um apelido muito comum. Mas aqui ela é um pouco diferente do filme. Costuma ser meio insolente com o chefe e mau humorada com o público, acho que vem daí o apelido. Além disso, ela não sabe que Tony Stark é o Homem de Ferro e pensa que o segundo é o guarda-costas do primeiro.
Aqui cabe uma digressão interessante. É compreensível que super-heróis tenham identidades secretas para conseguirem viver uma vida pessoal desvinculada da turbulenta vida de aventuras que vivem quando mascarados. Mas qual o sentido de você se passar pelo seu próprio guarda-costas? Que espécie de guarda-costas é este que só aparece quando o patrão desaparece? "Pronto, Sr. Stark, estou aqui para protegê-lo, ops, ele sumiu! Bom, já que não tenho costas para guardar, vou dar uns sopapos neste tal de Mandarin."
Bom, tiremos nossas conclusões. Quem é Felisberto? É o chofer de Tony Stark, no original, "Happy Hogan", ex-boxeador e sujeito de cara fechada mas bom coração. Ora, mas Tony Stark prefere, obviamente, andar por aí voando na sua armadura. Que serventia pode ter um chofer para ele? Exatamente, nenhuma. Este é um dos dramas de Felisberto, recebe para não fazer nada e passa o dia na sala de espera de Stark paquerando a secretária Pimentinha, que não dá bola nenhuma pra ele e o trata mesmo com muito desprezo e crueldade, pois é caidinha pelo chefe. Os galanteios incansáveis de Happy Hogan e os foras inclementes de Pepper Potts eram a grande atração das histórias do Homem de Ferro. Para quem estivesse inteirado deste triângulo amoroso, o primeiro quadro desta história poderia até surpreender, mas pro leitor brasileiro, parece que o cara é o grande amor da vida dela...
E o teste? e a explosão? Não faço idéia. Só o que dá pra perceber é que sem o Felisberto para esculachar, Pimentinha vai voltar todo o seu mau humor pra cima do Homem de Ferro. Olha só:
Também, com uma megera reclamando que nem essa aí, Stark, não tem como não ficar fraco. A maletinha esquentou tanto o tímpano de ferro do nosso herói, que o levou à exaustão.
Mas o Homem de Ferro não está fazendo metáfora aqui. Ele tem mesmo que recarregar as baterias do marcapasso que mantém o coração dele batendo. É que nem no filme, mas a treconologia aqui é mais pra "várvula" e pro "transistore".
Mas não sem antes ouvir mais uns desaforos da Pimentinha:
Rapaz, que fio desencapado eletrocutou esta mulher?! Olha isso, botou um vingador membro fundador para correr!
Enquanto isto, Felisberto, desiludido com seu emprego de auxiliar de assistente e com o romance entre tapas e beijos com Pimentinha, resolve deixar o sonho dourado da América:
Mas a verdade é que até o Homem de Ferro está sentindo falta do sparring da sua secretária:
É verdade, Homem de Ferro, é isso ou é você que vai ter que aguentar aquela mal-comida que está bufando lá na sala de espera...
Puxa, que dramalhão! Podia bem entrar uma música do Roberto Carlos, daquelas bem lamuriosas. Afinal, quando é a que a gente vai ver um pouquinho de ação nesse história? Ha, já é hora de sermos apresentados ao "vilãe" da nossa história!
Enfim, essas são as mãos do tal "Visionário", antigo Conde Nefarius, ex-chefe da MAGIA e ex-rico. Este sujeito só pode ser muito do mesquinho pra queimar toda uma fortuna em vingança ao invés de aproveitar a vida. Que será que esta máquina dele faz?
ha, tá, é uma espécie de video-game que faz as vezes de boneco de vodu... Vou te contar, que vilão mais sedentário, este aí. E ainda desmonta posto de trabalho pra pôr máquina no lugar de trabalhador. Que salafrário! Mas vamos ver se funciona.
Tá, eu não falei do Unicórnio pois ele não aparecia na página de abertura. Sério, não tem muito o que falar sobre ele, é um cara que tem um chifre na testa que dispara raios. Qualquer Zé Ruela no Universo Marvel pode disparar raios, mas esse teve que ostentar um corno no meio da testa para tanto. Patético. O outro é o Dínamo Escarlate, a quem o leitor mal é apresentado e já fica sabendo que ele está morto. Pois é, eu não falei que este cara tinha morrido. Deve ser porque ele foi só primeiro de DOZE Dínamos Escarlates que se lhe seguiram, mais oito e eles batiam a linhagem do Fantasma, que tem mais de 400 anos! O Dr. Vanko morreu disparando uma pistola laser com defeito que explodiu na cara dele (parece pastelão mas é sério... ou melhor, não é não), só pra salvar o Homem de Ferro que estava levando uma surra até a morte por um espião russo que trajava a armadura do Dínamo Escarlate (que, afinal, tinha suas qualidades técnicas, pelo visto). Mas voltemos ao combate presente, que, por sinal, não vai render muito, ao que parece, o Visionário está só fazendo um Test Drive no seu brinquedo novo.
Agora vocês vejam o nível de alcoolismo deste cara. Acostumado a viver embriagado e pegando no sono para curar suas bebedeiras, Stark não mostra nenhum estranhamento em ser lançado num delírio surreal de uma hora para outra. Por aí você imagina as ressacas com que este cara está habituado.
Mas bem, recarregado, nosso herói deixa seus inimigos imaginários e vai enfrentar uma verdadeira ameaça: um segundo round com Pimentinha:
Que novela... a garota em lágrimas, o galã tachado de "frio e indiferente", sofrendo internamente a dor de um segredo que não pode revelar e a descoberta fatal de que a mulher que ama está apaixonada pelo seu melhor amigo! Tudo que resta a Stark agora é sair em desarvorada decolagem para salvar o amor de Pimentinha e Felisberto (entra a música ao fundo para o próximo quadro: "Se a vida inteira você esperou um grande amor/ e de triste até chorou sem esperanças de encontrar alguém/ fique sabendo que eu também andei sozinho/ e sem ninguém pra mim não tive a quem entregar o meu carinho...")
Afe! Me dá uma colher de soro caseiro aí, que assim eu me desidrato de tanto chorar!
Até a morte, Toninho Stark? É mesmo? e o que você me diz disso aqui?
e isso?
Ou quem sabe esta moça aqui?
Entediado, Stark? Vamos passar para as Femme Fatales então. Que tal esta aqui com uma garrafa de vodka?
Ou esta aqui com um Sassicaia safra 1968?
E lá na Mansão dos Vingadores, Tony "Fura Olho" Stark, o que você anda fazendo? O seu amigo Dr. Pym sabe que você andou saindo com esta pequena aqui sem dizer a ela que era o Homem de Ferro?
E pra finalizar, que tal este colosso de supermulher com superforça, poder de vôo e que também, como você, gosta de enxugar umas garrafas? Ou você acha que alguém engoliu este papinho de padrinho do AA?
Sentiu o peso do material? Não? Tem problema não, ela dá uma desfiladinha:
Vou te contar, só quem não conhece é que compra este Toninho Stark Malvadeza...
E depois desse leilão de mulher boa na biografia do nosso herói, o resto da história vai ficar para uma próxima mesmo. Conseguirá o perigote das mulheres convencer seu amigo Felisberto a trocar um pais onde Guinness é vendida a preços acessíveis para voltar ao namoro de urso com Pimentinha? E o Conde Nefárius? Conseguirá passar de fase no World of Warcraft ou continuará invernizando a vida de nosso herói? E Pimentinha? Estará de TPM ou é assim o tempo todo mesmo? Saiba no próximo capítulo. Até lá, vocês ficam com o agente da U.N.C.L.E., que também é chegado num rabo de saia, ao som de um recado certo para ele e Tony Stark: "Chick Habit" por April March. Essa garota é papo firme!
Meus nobres, retorno de longa data sem pronunciamentos relevantes e depois de uma ou duas considerações duramente criticadas pela estágiária, o que mostra que o Blog sofre uma crise de governabilidade. Sei que venho com muito atraso e todo mundo está de olho mesmo é no filme do Batman, que só faltou ter mulher bonita. Mas antes à tarde do que nunca, como diz o outro. Fato é que o astro do ano é o Homem de Ferro, que deixou os nerds de mais trinta anos alvoroçados nos cinemas de todo o Ocidente pois, pela primeira vez na história das adaptações de quadrinhos de heróis para o cinema, alguém pensou o óbvio: que tudo que a gente quer é ver estes caras aparecendo nas histórias uns dos outros. Acho que a coisa promete, principalmente se tivermos um filme dos Vingadores com Hank Pym sentando a lenha na esposa, Tony Stark e Miss Marvel enchendo o pote e o Capitão América ficando com longas e melancólicas falas sobre o fim do sonho americano e sobre dificuldade em se encontrar uma boa torta de maçã neste mundo contemporâneo onde um patriota não encontra mais o seu lugar. Bem, voltemos à vaca fria. Eis aqui, em homenagem à menina dos olhos dos Estúdios Marvel, um post todinho para o gladiador dourado, o Homem de Ferro. E a nossa atração de hoje é, como manda nossa etiqueta, mais um clássico: a primeira história do nosso herói publicada no Brasil!
Então vamos tratar aqui do maior super-herói anticomunista da história. Era década de 60, auge da Guerra Fria, nosso herói é um playboyzinho rico, gosta de entornar uns destilados, um mulherengo de marca maior e ficou rico vendendo armas. Ora, mas não se apresse em julgá-lo tão rápido. Quando envergava sua armadura vermelha e dourada, nosso herói defendia o mundo da livre iniciativa contra as ameaças que vinham de trás da cortina de ferro, inclusive uma espiã russa femme fatale e um chinês munido de nada mais nada menos que dez perigosíssimos anéis. Rapaz, se eu tivesse que usar dez anéis, com certeza eu desertava para o Ocidente, é muita cafonisse!
Ha, sim! O leitor deve estar estranhando, se está pensando no Homem de Ferro que se lê atualmente. Não difere tanto do de hoje em dia, tirando a fichinha do AA e a política do controle social no lugar da paranóia anticomunista. Fato é que o Homem de Ferro de antigamente era muito mais interessante, levando na maleta de executivo uma armadura movida a transístores e que passava pelos detectores de metais de todos os aeroportos do mundo. Senão, vejam só:
Isso é que é super-herói prafrentex, em sintonia direta com o Milagre Brasileiro porvindouro! Nada mais adequado que chegar ao Brasil, juntamente com os outros heróis marvel, distribuído gratuitamente em parceria bastante previsível nos postos Shell, que é multinacional centroavante do modelo automotivável de desenvolvimento que Stark representava tão bem.
E a parceria não podia ser outra, não é? Mas trata-se de um engodo comum à época, na verdade o gibi em exame continha duas histórias solos de cada um dos personagens. A história do Capitão América tem até seus atrativos (vou dar uma palhinha apenas: Se passa na Segunda Guerra, o Caveira Vermelha consegue hipnotizar o Capitão e fazê-lo trabalhar para o eixo, e leva seu mais novo subalterno para uma entrevista com o seu amado Führer. Hitler toma um susto quando vê o Capitão América em carne, osso e estrelas ali bem no seu gabinete e vai se esconder embaixo da mesa, é muito pastelão, faça-me o favor... =P).
A história que vamos ver é a primeira publicada do latinha no Brasil, recém lançada em fac-simile pela panini. Porque, já que temos nas livrarias o "Biblioteca Histórica Marvel" com as histórias originais e coloridas do cachaceiro dourado? Porque o fac-símile preto e branco demora menos pra ser escaneado e também porque naquele tempo as editoras tinha o hábito feliz de mudarem quase que por completo o texto da história na tradução, ou nem mesmo perderem tempo fazendo tradução nenhuma. Não duvido que muita história da Marvel foi reescrita no Brasil pelo estagiário ou pelo contínuo. Quer dizer, amigos leitores, que o que vamos ver aqui é uma história completamente diferente daquela que os americanos leram na época, possivelmente até melhor, se o contínuo não entendesse lhufas de super-herói.
Então comecemos. Abrem-se as cortinas do maior espetáculo da terra: a página de abertura nos mostra um quadro de terror que desperta no leitor as mais vívidas aflições pelo bem estar do mundo livre! O campeão do Vale do Silício encurralado por seus maiores inimigos que são...
"E por falar em saudade, onde andam os vilães..." Opa, que "vilães"? A gente ainda não conhece eles pra perguntar por onde andam! Bem, eu com meus trinta e três anos de gibis empilhados até sei quem são alguns destes caras, mas o leitor da época, ora sendo iniciado ns histórias do personagem, não devia fazer outra idéia que não fosse "ha, bem, estes são os caras maus. Ok, foi pra isso que eu comprei o gibi, pra ver o Homem de Ferro brigar com caras maus". Então, não sei bem qual era o suspense que se supunha despertar no leitor. O mais interessante é a advertência de que se estava apresentando um novo personagem, no caso, o tal Visionário. Ora, todos os outros, inclusive o protagonista da história, estavam sendo apresentados, tudo era novidade. Enfim, dá pra ver a consideração da editora: a primeira história do homem de ferro publicada no Brasil não é a primeira história do homem de ferro e o leitor já pega o bonde andando. A verdade é que ninguém por aqui ligava pra ordem destas histórias, pelo menos até a década de 80. Acho que o estagiário ou o contínuo perguntava "mas esta história se passa antes da que a gente publicou no mês passado", o editor respondia "fôda-se! essa molecada mal sabe ler, eles só querem mesmo é ver as figuras!". Ok, em grande parte, era verdade...
Então, vamos dar uma reconhecida aí nos "Vilães". Pulemos o "Visionário", que ele vai ser nossa atração principal. Da esquerda para a direita: Jack Frost, um ex-cientista que trabalhava para Stark e que descobriu que as pessoas poderiam viver eternamente se ficassem congeladas bonitinhas num bloco de gelo; Dínamo Escarlate, um tipo de Homem de Ferro soviético que desertou para o ocidente depois que descobriu os prazeres de consumo do mundo livre; lá no fundo, bem pequeno, montado num cavalo alado, tá vendo?, então, é o segundo Cavaleiro Negro (o primeiro foi um herói dos tempos do Rei Arthur, este é o seu descendente que quer mais é adiantar o seu pirão primeiro, e tem ainda um terceiro que é sobrinho do segundo e que topou essa de ser herói); o Derretedor (parece ridículo mas é isto mesmo, no original, The Melter), um industrial que perdeu uma licitação para o Stark e descobriu um raio que derrete ferro que se adequou de modo absolutamente óbvio aos seus anseios de vingança; finalmente, Gigantus (que no original tinha um nome mais literário, Gargantus) e esse é difícil de explicar, vamos dizer que é um gigante com pinta de homem das cavernas que pode hipnotizar toda a população de uma cidade e que na verdade não passa de um robô operado por alienígenas que estão num disco voador escondido atrás das nuvens enquanto tudo se passa (o que acabo de relatar é a segunda história do Homem de Ferro e concordo que é um dos maiores absurdos que já se viu caber numa só frase).
O Dínamo Escarlate é um caso ainda mais notável. A história da deserção dele é tão peculiar que vou ter que abrir esta digressão. Como eu disse, é um russo com armadura, mandado por Krushov para vencer o Homem de Ferro e humilhar a tecnologia do capitalismo. Claro, que a armadura de Stark, produto de uma livre economia de mercado que recompensa a pesquisa em tecnologia com a perspectiva do lucro, é óbvio que a armadura de Stark é muito melhor e o Homem de Ferro dá uma surra no Dínamo Escarlate. Porém, no clímax da briga, temos um acontecimento especialmente dramático:
Ho, que insidiosa traição! Então é assim que os comunas tratam os seus heróis?! Será esta a recompensa que todo o marxista pode esperar dos seus governantes totalitários?
Opa, mas peraí, parece que ainda não acabou. Claro que nosso amigo russo vai ficar indignado com essa revelação e aderir à democracia e à livre iniciativa, mas... será que foi isso mesmo?
Os comunistas são traiçoeiros, Stark?! Pelamor...
Bom, o post já se alonga, prosseguimos na próxima, que quero crer não tardará. Até lá, mostre que você é lenha pura! Pegue o seu carango, chame seu broto, passe num posto Shell, ou Esso (There's a Tiger no Chassis!), e mostre que este é um país que vai pra frente!
Chega em bom momento o novo projeto de Maurício de Souza, pois faz muitos mêses que ando sem idéias de piadas para pôr aqui. Essas coisas aí de cima são "A Turma da Mônica" aborrecentes. É sério. Eles vão viver aventuras que falam de drogas, sexo e rock'n roll. Ao que parece, a Magali vai trocar a compulsão por comer pela de falar no celular. E o Cebolinha, logo agora que tem cabelo, vai usar estes óculos "da hora, mano"! E o que é "melhor", vai ser mais um mangá a se juntar com os outros 437 que já entopem as bancas. Obviamente, vai ser um sucesso, zilhões de moscas não podem estar erradas.
Sempre achei engraçado quando alguém me passava alguma coisa setentista para ler, que não fosse, claro, o binômio Marvel/DC. Invariavelmente, achava que o dito-cujo queria me comer; e, até agora, só faço confirmar a teoria. Pois bem, um dos meus presentes de hanuká desse ano (5768) foi o quadrinho údigrudi americano Omaha - a Stripper, escrito por Kate Worley e desenhado pelo seu então marido, Reed Walker, em plena efervescência dos fins dos setenta/meados dos oitenta.
Omaha é o nome de guerra de uma gatinha muito charmosa, que trabalha como stripper na pequena cidade de Mippletown, em algum ponto do meio-oeste ianque. Omaha divide as despesas com sua colega de trabalho, Shirley, e com seu namorado, o desenhista publicitário Chuck; mas, devido a certas leis "moralizantes" agitando o Congresso, a vida de Omaha mudará drasticamente.
São felinos, cachorros, pássaros, raposas e outros bichos, com falos exagerados e contas a pagar: sua humanidade assusta e surpreende. A Playboy local se chama Pet. Chuck, um gato, teve uma primeira esposa, uma periquita, que eventualmente presta favores sexuais ao seu chefe, uma coruja. Shirley é uma cadelinha mignon que se apaixona por um gato que também come uma periquita... e por aí vai, num sem-fim de predadores/predados redundando num roteiro mirabolante, mas sem os excessos que ditam as regras da hq erótica em geral.
Uma pena que o casal Worley e Walker tenha se separado de forma tão drástica. É que o Omaha e Chuck não apenas dividem a mesma cama; eles são parceiros na vida. Kate e Reed de certa forma também eram, e sua separação representou um longo hiato para a hq, tendo sido continuada apenas em 2002, quando o casal finalmente voltou a se falar. Pouco depois, com a morte de Kate, os comics perderam uma de suas melhores escritoras; e Reed, sua melhor roteirista.
Omaha - a Stripper pode ser achado em qualquer livraria, traduzido, a módicos trinta reias - cortesia da Editora Conrad. Recomendo.
Imagine que você crie hamsters extremamente dóceis e carinhosos. Um dia, você dá um dos filhotes de hamster para seu gato, que o come chorando. Mas, enquanto o bichano ainda está cuspindo os ossinhos, você seca as lágrimas, porque, jeez, se é uma coisa que esses bichos são bons é pra reprodução.
O selo Geração Marvel é do tamanho das revistinhas da Turma da Mônica, e, assim o é pois é voltado para o mesmo público que a publicação de Maurício de Souza, a princípio, almeja. Ou seja: os pequeninos. Aquela galerinha que não sabe que o Tony Stark é um chincheiro com a burra cheia da grana que financia guerrilhas em países subdesenvolvidos, que Hank Pinn é um covarde com um gosto tanto quanto duvidoso por jaquetas amarelas, que o Hulk é uma besta fera assassina criada para gerar catarses nos nerds que apanhavam na escola, etc, etc, tem agora um gibizinho sem aquelas cronologias chatas, explicações firulentas sobre a psicologia dos heróis, e todas aquelas coisas que transformaram os gibis da era de aquário em uma extensão do divã do seu analista. Bacana, não?
Confesso que não lia gibis durante a minha infância porque, afinal, nasci pós Crise das Infinitas Terras. Tinha algumas revistinhas dos Novos Titãs espalhadas pela casa, mas, cara, era tudo um grande pé-no-saco. Eu queria ler histórias completas, porra, e sempre vinha um "continua no próximo gibi" na última página. O pior é que não existia um "próximo gibi", já que as revistinhas eram de '92, e eu só aprendi a ler em '93. Não que eu acabasse me importando muito com a continuação das histórias: Novos Titãs dos anos '90 É uma merda. Depois, li em '96 ou '97 o Doomsday, que também foi um c*, e larguei de mão esse negócio de quadrinho ianque, só voltando as leituras novamente em 2001, com o universo Vertigo, como reza a cartilha de toda goticazinha. Mas isso não importa. O fato é que se houvesse algo como esse gibi dos Vingadores, que pretendo comentar no presente texto, na aurora da minha vida, minha formação quadrinhística teria sido muito diferente. Afinal, comics oughta be fun. Uma regrinha simples que muita gente parece ter esquecido com esse negócio de mata, ressuscita, re-mata, re-ressuscita.
Na história, uma formação ideal dos Vingadores (Cap. América, Tempestade, Hulk, Homem-Aranha, Garota Gigante, Homem de Ferro e Wolverine) já começa quebrando o pau em um esconderijo do organismo encefalicamente super-desenvolvido Modoc; um local idílico onde todos os cientistas da IMA usam roupas amarelas com seus primeiros nomes estampados na lapela, e os churrascos de final-de-semana terminam sempre com o escalamento de uma cobaia para seus experimentos malignos. Modoc coloca todos em uma cilada e transforma a galera em, duh, Modocques. Só que alguma coisa dá errado, e os Vingadores viram aqueles troços cabeçudinhos... só que ainda lutando contra o crime!
O gibi ainda está nas bancas, e aconselho a todos que estiverem olhando esse blog agora a saírem da frente de seus computadores e o comprarem imediatamente. Pastelão de primeira, no maior estilo das adoráveis histórias do Quarteto, com um traço hiper-realista e cores fantásticas. Tenho certeza que garantirá boas risadas para todos nós.
PS: e não é que o Aranhadoc ficou uma gracinha? sério, gentem, tou pensando em tatuar. assim, na barriga. fofo, não?
Em uma entrada anterior, o prezado Senhor F. comentou a aparição do mangá Samurai Executor, dos mesmos produtores de Lobo Solitário, no Brasil, tecendo odes à beleza e virtuosismo da referida história, e de quebra, a recomendando para toda a meia dúzia de três leitores desse blog. Contudo, malgrado os elogios do autor, registramos na página de comentários a reclamação indignada de um desses leitores, emitindo sua revolta em frases como DIACHO! porque diabos tentaram nos enganar? e ...se era para fazer uma série nova, porque copiaram o desenho do samurai antigo?.
Ora essa: Itto Ogami e Asaemon Yamada são realmente fruto do mesmo rascunho. E eu tenho absoluta certeza de que isso é intencional. Pense bem; ambos representam um paradoxo conceitual, que é o homem bonito e macho japonês. É como se você visse a cara do Tarcísio Meira estampada em qualquer revistinha tupiniquim. Não nos esqueçamos que o Ken Parker é o Robert Redford. Por quê? Porque o cara é BONITÃO. Um galã. Ogami e Yamada também TEM QUE SER bonitões. Dado o gosto (obscuro) dos autores por esse tipo de homem (queixo quadrado, rabinho de cavalo, nariz reto, etc), a cara de um só podia ser igual ao cu do outro.
Maaas, me debruçando sobre os 28 volumes de Lobo Solitário e os quatro de Samurai Executor, não pude deixar de notar que não apenas os galãs sofrem pela falta de, hmm, criatividade, por parte de Goseki Kojima.
Estou falando de mulé, rapazes. Pra ele, racha é tudo igual. Basta ter a mesma carinha oval e um buraco no meio das pernas que já deu. Exemplos?
aloe vera dá um jeito nisso rápido, fofa.
me recomenda o teu cabeleireiro, gactan?
"a-do-ro homem assim, forte..."
As três figuras retratadas são personagens de diferentes histórias nos dois mangás referidos. Três personagens completamente opostas, movidas por ideiais totalmente diferentes, mas, pelo jeito, saída da mesma fábrica de clones que produz os Woompa Loompas.
Olha gente, peralá, longe de mim querer criar confusão, mas até a monja com o lenço na boca é idêntica à todas as outras jovens retratadas. Aposto que o Kojima só apagou o cabelo com uma borracha e mandou pra gráfica, porque, sério: fora a expressão facial, qual a diferença entre essas seis mulheres retratadas?
Pensando bem, talvez seja praxe dos estúdios nipônicos reproduzirem sempre os mesmos rostos em publicações diferentes.
Eles são os maiores heróis da América e talvez por isso estejam sempre invadindo o espaço aéreo das outras nações. Retomemos a apreciação deste clássico da indústria cultural, The Brave and The Bold 28, que apresenta a primeira aventura da Liga da Justiça. No último capítulo, Batman e Superman tiraram o corpo fora mas o restante da Liga compareceu à reunião e tirou encaminhamentos para enfrentar a ameaça de Starro, vilão fisiologista que pretende dominar a terra e empregar um trem da alegria de parentes.
Divididos em comissões, os justiceiros saem ao encalço das estrelas-do-mar que foram anabolizadas por Starro para agirem em seu nome, mediante procuração com plenos poderes e firma reconhecida. A primeira ameaça será combatida pelo gladiador esmeralda, o Lanterna Verde, ou pelo menos, o mais famoso deles, Hall Jordan.
Mas o destaque aqui não é tanto para ele, mas para os pilotos de um avião bombardeio da força aérea americana que é atacado pelo preposto de Starro:
Conhece assim, o leitor, a fleuma e o sangue frio dos pilotos norte-americanos, dispostos a testemunhar os maiores despautérios antes de usarem de força letal. "Não atire ainda, afinal, não devemos temer aquilo que não entendemos!" É por sabermos serem tão concienciosos e pacíficos os paladinos da aviação militar norte-americana, que podemos confiar que países como o Iraque e a Sérvia não tiveram danos fatais naqueles bombardeios de outrora, os quais, temos plena certeza, tiveram precisão cirúrgica e atingiram apenas alvos militares e malvados, poupando a vida dos inocentes e o exercício da livre iniciativa.
Mas o que quererá o sobrinho de Starro com um avião bombardeio americano? Hoje em dia, talvez nada, mas naqueles tempos da Guerra Fria, estes B-52s trasnportavam uma iguaria radiotiva de especial interesse para mostrengos de quilate cósmico.
Vigorava entre ambas as partes da Guerra Fria um acordo tácito de destruição recíproca assegurada, o que implicava que cada uma mantivesse um contingente nuclear suficientemente destrutivo para dissuadir o adversário de usar o dele. Da parte dos americanos, sabemos que estes B-52s ficavam voando o tempo todo e eram mesmo abastecidos em pleno ar, cada um com algumas bombas atômicas e de prontidão para bombardear a União Soviética tão logo determinado. É qualquer coisa de se pensar a possibilidade do mundo ter ido todo pro vinagre se um piloto desse não entendesse muito bem a ordem recebida pelo rádio.
Saiba mais sobre a "destruição mútua assegurada" aqui, e sobre os lendários B-52s da Guerra Fria, aqui.
Como era de se esperar, o servo de Starro pega a bomba e deixa um avião avariado a ser resgatado de presente para o Lanterna Verde.
E o que mais você tinha em mente, Hall Jordan? Fazer uma prece a São Cristóvão?
Nem me impressiona tanto o feito, mas sim o vocabulário do gladiador esmeralda: ameaça pentápede! Um poeta parnasiano, este cara. E ainda dizem que gibi é literatura inferior.
Mas com toda a sua eloquência, Hall Jordan não conseque deter o servo de Starro antes que ele detone a bomba (sabe-se lá meu bom deus aonde) e absorva a energia. Pra quê? Anote aí que você vai ver mais adiante.
Bem, o Lanterna luta com a tal coisa, que volta a ser uma estrela do mar comum. Ainda bem, pois urge que passemos ao ato seguinte desta história. O segundo servo de Starro está prestes a poupar uma fortuna em bolsas de pesquisa pro CNPQ:
Puxa, que conhecimentos os nossos cientistas devem possuir que possam interessar a uma criatura que anda passeando aí pelas galáxias? Talvez, fazer mais bombas atômicas como a que o outro agente de Starro papou, o que mostra que o vilão aprecia comida típica. Bem, ok, essas coisas que tornam os quadrinhos a mídia popular mais receptiva ao surrealismo, lá vai um prédio cheio de cientistas voando pelos firmamentos, o que nossos heróis vão fazer?
Sim, o que ela diz faz sentido, porém...
Soltar? Como assim soltar, Mulher Maravilha? E a segurança de quem está no prédio?
E tem essa saída estratégica pela direita do Caçador de Marte, que parece que não tá muito afim de meter as mãos nessa coisa nojenta e adesiva que até algumas horas rastejava nas profundezas mais recônditas do oceano.
O Caçador de Marte merece um comentário à parte. Alguém ainda lembra de quando ele atendia por nome de detergente? (Ao que parece, só no Brasil ele foi chamado de "Ajax", mas vale eu conferir) Acredito que todo mundo que conheceu a Liga pelos desenhos dos Superamigos, deve ter estranhado quando começou a ler os quadrinhos e se deparou com este cara verde, de dois metros de altura, superforte, mas que começa a choramingar quando alguém risca um fósforo. Afinal, que tinham na idéia quando inventaram este cara? "O Superman faz sucesso, mas e se ele fosse... verde?"
Pois é, John Jones quer encontrar uma arma no meio do céu, será que ele pirou de vez ou quer deixar todo o serviço pesado pra Mulher Maravilha? Ora, não nos apressemos em condenar novas idéias! Vocês lembram dos meteoritos que são tantos que mantém o Superman ocupado o bastante pra não ir na reunião da Liga? Então, porque não haveriam à disposição na extratosfera algumas pedrinhas pra jogar no brigão da vez?
Ora, qualquer rapazinho que se destaca na gangue da rua sabe que sempre pode contar com as pedras da calçada para jogar nos inimigos. Isto é estratégia rudimentar dos enfrentamentos infantis e nosso Caçador de Marte aproveita para o terceiro momento educativo do gibi:
E o filhote de Starro só saiu voando com esse prédio porque achou que iria estar mais seguro nos firmamentos. Ele com certeza não conhece o espaço aéreo brasileiro.
Bem, os cientistas são todos salvos, numa manobra espetacular a Mulher Maravilha faz jet ski com o prédio a reboque do seu avião invisível e aterriza o prédio em segurança. Sério. Ela devia trabalhar no Aeroporto de Congonhas.
Afinal, resta o terceiro servo de Starro, que vai ter que encarar o membro mais perigoso e imprevisível da Liga da Justiça. Flash? Que nada! Que ameaça pode representar o homem mais rápido do mundo quando estamos falando de uma cara tão insuportável que fica estalando os dedos sem parar? Sim, estamos falando dele, o odioso e primeiro contínuo da Liga da Justiça, Snaper Carr, em sua primeira aparição:
Cara, como eu odeio este jovem "batuta"! Só tenho uma teoria pra existência desta criatura abjeta. Alguém percebeu que reunir todos estes heróis seria um problema se eles trouxessem cada um seu respectivo sidekick. Seria preciso ter uma creche na sede campestre, talvez do lado da garagem de avião invisível, para abrigar Robin, Moça Maravilha, Kid Flash, Aqualad e Ricardito (um nome desses e ainda perguntam porque esse rapaz usava drogas...). De qualquer sorte, com tanta criança na sede, ninguém ia conseguir fazer uma reunião, que é o que a Liga da Justiça mais prioriza, afinal de contas. Enfim, para economizar tempo, espaço e saco, os membros da liga, quando em ação coletiva, repartem todos um mesmo sidekick para fazer perguntas óbvias e piadinhas idiotas. Por outro lado, o motivo para ele ter este hábito detestável de estalar os dedos e usar estas gírias "da hora" foge à minha compreensão!
Mas algo está errado na cidadezinha em que Snaper Carr mora. Pra começar, é onde ele mora. Na verdade, na década de 50, havia algo de errado em quase toda cidadezinha interiorana, como sabe qualquer iniciado em filmes B. Zumbis, aranhas gigantes, homens do espaço em combinações de prata, a vida bucólica americana era bem agitada. Deve ser por isso que o último emissário de Starro foi lá fazer, como se pode dizer, um trabalho de base e conquista de eleitorado:
"Qualquer lugar onde a gente não ouça você estalar os dedos, Snapper."
Brincadeira, eles estão controlados mentalmente pelo servo de Starro, como a cara séria deles dá bem a entender.
Porque toda pessoa controlada mentalmente fica tão séria? Se eu controlasse alguém mentalmente, mandaria ela fazer umas caras e caretas, só pra começar. Estes vilões telepatas não tem muita imaginação.
Agora, é coisa de se reconhecer, Starro daria um bom presidente norte-americano: detona bombas atômicas, rouba cientistas e promove comícios de autômatos:
Viu só? Até um monstro do espaço vê de longe que esse moleque é um mala!
Bem, o Flash chega na hora, acaba com aquela demagogia e dá um sacode no vilão, que foge numa sequência repleta de significado religioso:
Êxodo, 14:10: "E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao SENHOR."
Êxodo, 14:15: "Então disse o SENHOR a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem."
Êxodo, 14:21: "Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o SENHOR fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas."
Êxodo: 14:23: "E os egípcios os seguiram, e entraram atrás deles todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até ao meio do mar."
Êxodo, 14:26 e seguintes: "E disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros. Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retornou a sua força ao amanhecer, e os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e o SENHOR derrubou os egípcios no meio do mar, Porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nenhum deles ficou. (...) Assim o SENHOR salvou Israel naquele dia da mão dos egípcios; e Israel viu os egípcios mortos na praia do mar."
Amém! O último starrinho foi liqüidado. Mostrando grande senso de oportunidade, Flash indaga ao povo da cidade se lembravam de algum comando mental do bicho feio e descobre assim o lugar onde Starro vai executar seus planos. Ora, nesse ponto, respiraríamos aliviados, Flash poria pé na estrada e nos livraria da chatíssima presença do estala-dedos "barra limpa". Porém,
E é por isso que você não arranja namorada e vai passar a adolescência bancando contínuo de super-herói e babando com as pernas da Mulher Maravilha. Prego!
Chegamos ao clímax da nossa história. É hora de descobrirmos quais são os planos efetivos de Starro:
Sei lá, Starro, mas me parece que você teve um contratempo aí. Pois se você tivesse começado pelo controle das mentes, as outras duas coisas viriam meio que de graça.
Bem, a coisa vai mal, de qualquer sorte. Starro está superpoderoso e topa até mudar de cor. Acuada, a Liga se volta pra sua arma secreta: Superman? Nem, bicho! Tá por fora! Estou falando do adolescente "batuta", Snapper Carr.
Eu também fico intrigado, Flash, em como você traz um civil pra campo aberto em meio a uma batalha com uma criatura cósmica que tem o poder de uma bomba atômica e ainda deixa ele direto na linha de fogo.
Cal? Como assim? De que adianta você ser um monstro alienígena com poderes ilimitados se qualquer pescador de praia ou peão de obra dá cabo de você? Flash, Starro não come ostras, come bombas atômicas!
Porém, se é assim, fica fácil, tem cal em qualquer canto,
Tudo bem, Lanterna, mas custava ter explicado a situação antes de fazer meia dúzia de barris de cal saírem voando na cara de um pobre e provinciano camponês?
Para outros usos desta substância fabulosa que é a cal, consulte aqui.
Final feliz, Starro foi vencido e Superman e Batman chegam a tempo de bater o ponto e assinar a ata da reunião.
Agora, o que parecem dizer as expressões dos recém-chegados? Superman tá com aquela cara de "Que está acontecendo? Porque o Flash tá nomeando este adolescente espinhento e sem poderes como membro da Liga? Será que eu perdi alguma coisa? E porque ele está ganhando um sinalizador da Liga? Já vi que vamos ter mais reuniões..." Já o Batman ri: "Ha, o Flash só pode estar de sacanagem, é um fanfarrão!"
E assim termina a nossa análise deste épico de nosso tempo. A Liga da Justiça erradicou seu primeiro adversário e ainda conseguiu um office boy na faixa. Tem isso de ele estalar os dedos, mas nesses tempos em que temos que aguentar o Superboy da Terra Primordial, até que este aborrecente não era tão insuportável assim, afinal.
Na antologia Bizarro Comics, me deparei com a primeira história do aquaman (sempre ele) que realmente fez jus ao personagem. A ver:
Na história, Aqua, Me(ge)ra e dois sidekicks estão, mais uma vez, nas mãos do cruel Manta Negra. Hannibal Lector à parte, reparem, primeiro, no material de que a é feita a corrente que prende nossos heróis. Cara... poliéster não rasga, assim, só com a unha?
Gentem, olha a cara de acabada da Mera. Querida, a água salgada definitivamente não te faz bem. Já ouviu falar da campanha renews da L'Óreal? Eu tenho umas dicas ótemas pra você dar de vez um jeito nesses pés-de-galinha.
Retiro o que disse, Mera. Com um marido desses, até eu ficava assim.
Ai santa, brigaram mesmo? Até com nosso amigo Peter, o Baiacu? BA-FÃO.
Dane-se se ele não sabe que tubarões não soltam leitinho. MORRI com a vulgaridade do plâncton. Juro, sempre achei o máximo esses bichos. É supereu fazer uma dieta só a base deles, não é?
HAHAHAHAH. Esse aí tá mais fudido do que Superman com a Lois de tpm. Só quero ver.
Achei essa, assim, batida? Conta outra, né?
Se Mera fosse eu, teria enfiado aquela coroa com gosto na testa do marido e usado o cocoruto como tigela de sucrilhos. Porque, gente, sério: não bastasse ele ter brigado com toda a NETWORK dele, como assim diz que vai PENSAR em uma saída? Menino, sempre que leio isso, me lembro daqueles animaizinhos fugitivos usados em testes de laboratório. Tá na cara: VAI DAR MERDA. Será que eles nunca assistiram a Pinky e Cérebro?
Adoro as histórias da era de prata da JLA. E não só pelo seu didatismo despudorado. O espírito de companheirismo e união, somado ao esforço vão da galera em provar que o Aquaman prestava para alguma coisa além de telefone pra peixe, me comovem. Mas, era de prata à parte, esse Almanaque dos Superamigos de '77 roubou meu coração.
Infelizmente, pelo formato jumbo que a EBAL cismava em fazer, não consegui escanear toda a mancha gráfica, nem a capa, assinada por Alex Toth - em cores di-vi-nas, fico LÔCA só de olhar. Porém, não vou fazer que nem meu maridinho e comentar a história inteira de cabo a rabo. Prefiro deixar uma palhinha, atiçando a imaginação dos marmanjos que lêem o referido blog.
Na tal "surpresa muito especial", Wendy, Marvin e o (Bionicão! é o Bionicão!) Cão Maravilha são convidados por Robin (cujo shortinho é menor que minha calcinha, te juro, menina) para, duh, conhecer a Liga da Justiça, que, naquela época, ainda tinha nome de workshop para pessoas "especiais" (Superamigos? vai me dizer que você nunca pensou nisso, hein...). Durante a visita, Marvin, um moleque cuja mãe não ensinou que é feio se travestir assim, de improviso, na casa dos outros, vestiu o uniforme antigo do Arqueiro Verde, pré cavanhaque sexy.
ai, menina, dá uma apertadinha aqui e ali que fica PER-FEI-TO!
Sente a risadinha do Super-Homem. Ai, tesão...
Ao ver o jovem Marvin pagando mico na frente da galera, o Homem de Aço decide contar uma historinha, de quando todo mundo achou que verde, gente, era o novo preto.
aquilo é uma lagrimazinha?
Mas isso não vem ao caso. A historinha é ruim de doer, ri meu cu lendo ela toda. Só não entendi muito bem o final, mas, não estou aqui para discutir roteiro. O que eu quero é POLÊMICA.
Depois que o Super-Homem tem seu momento de glória contando a historinha (era melhor ter deixado pro Aquaman, né? nem a ata ele escreve, coitado), nosso amiguinhos decidem dar mais uma xeretada pelo quartel general. Eis que Wendy, a graciosa estagiária de cabelo azul (alô, wellaton?) demonstra todo seu girl power fazendo a pergunta mais SHOCK'S que alguém pode fazer para a JLA.
Menina, vou te explicar uma coisa: RACHA, meu bem, só em desenho de RACHA. Isso é um quadrinho pra moleques. Mulher, por aqui, só quando a turminha quiser socar uma bem dada, viu?
E, por falar em testosterona... rapazes, reparem bem para onde o olhar da kathleen turner Canarinho está direcionado. Jésus.
Dessa bolacha, fofa, ela come até o farelo.
Vai me dizer que vocês não notaram? E pau no cu de quem achar que isso é olhar maternal. Canário Negro, sexy até a ponta da meia arrastão, está aliciando a jovem Wendy. Será que eles checam a idade dos "membros juvenis" que vão fazer essas visitinhas ao quartel-general? Ou pedofilia, na bunda dos outros, é refresco?
Bom, julgando que Wendy, pelos peitinhos, já tivesse seus dezesseis-dezessete aninhos: se mulher fosse você, deixaria essa passar?
Acho que por hoje é só. Depois posto alguma coisa menos tendenciosa por aqui.
Os créditos da "emprestagem" do Almanaque dos Superamigos (EBAL, 1977) são devidos a Bruno Cruz, professor, amigo, e mini-enciclopédia de cadarços mal-amarrados para esta que vos escreve.
Eles são os maiores heróis do universo DC e nesse tempo não faziam lavagem cerebral uns nos outros. Dando início aos trabalhos hermenêuticos deste blog, temos aqui um momento épico da era de prata: The Brave and The Bold, volume I, n. 28, de 1960, ou para os iniciados, a primeira aventura publicada da Liga da Justiça da América, também conhecida pelo vulgo como "Superamigos". Um importante momento da história dos super-tipos almofadinhas da DC, antes deles tentarem imitar os meliantes da Marvel. O serviço é assinado por Gardner Fox no roteiro e Mike Sekowsky na arte, segundo dá notícia a edição Arquivo DC: Liga da Justiça da América, da pannini, da qual vamos fazer uso aqui.
A arte de Sekowsky é agradável, limpa e dinâmica, bem como é o forte da era de prata. Além disso, é bom ver a Mulher Maravilha no que hoje seria um sóbrio e elegante shortinho, ao invés dos biquinis de hoje em dia (a reedição da peça neste teor foi uma das poucas coisas que salvou o DK2 de Frank Miller). Já o enredo de Gardner Fox, bem, estamos na era de prata, então, entremos no espírito...
Bem, que grande inimigo poderia motivar a reunião dos maiores heróis da terra? Darkseid? O Antimonitor? O Monarca? A esposa carente de atenção de Ray Palmer? Nada tão sofisticado, o primeiro adversário documentado da Liga da Justiça é uma estrela-do-mar que vem do espaço, aparentemente ultra-evoluída e com planos de conquistar nosso planeta. Se eu fosse uma estrela do mar, não me importaria com o planeta ou com a humanidade, me contentaria com o mar. Onde será que Gardner Fox teve uma idéia dessas? O cara está lá pegando um sol na praia e pensa, "super-heróis deviam lutar com estrelas-do-mar..."
E se o assunto é mar, nossa história começa com ele, o monarca dos oceanos e amigo dos peixes:
Peter, o Baiacu.
De novo, de novo:
Peter, o Baiacu.
Soa bem, não? Assim ficamos sabendo que as criaturas do mar, amigas do Aquaman, vivem num clima descontraído e amistoso, tratando-se umas às outras por alcunhas carinhosas como "Peter Baiacu", nome que ficaria bem num surfista marolinha ou no peixinho de borracha que sua mãe deixava você levar pra banheira. Fato é que o tal Peter honra sua condição de olheiro e dá todo o serviço:
Vida inteligente? Lamento, Starro, planeta errado. Porque não tenta Daxam? Parece que lá o povo é tão sabido que todo mundo vira médico.
Depois, Peter, que história é essa de ficar de cabeça pra baixo? Você faz meditação transcendental ou algo assim? Ha, nada mais do que ocasião para o primeiro momento educativo da nossa história:
Quem precisa da Enciclopédia Britannica tendo um gibi pra ler?
Qualquer sorte, Starro toma gosto e resolve ficar por aqui mesmo, ao descobrir que tem parentes no local:
Imagine a reviravolta na vida de três estrelinhas-do-mar mequetrefes rastejando nas profundezas e sem nenhuma perspectiva de vida, subitamente alçadas ao patamas de criaturas cósmicas por um primo distante e desconhecido! São estas peripécias dramáticas que fazem um épico literário!
Ciente da ameaça, nosso herói faz aquilo que todo o membro da Liga da Justiça aprendeu a fazer ao se inteirar de uma ameaça global: convoca uma reunião!
Novo momento educativo do gibi, afinal de contas, aquele selinho do código de ética no canto da capa tem seu preço. Consta do Aurélio:
equinodermos. S. m. pl. Zool. Animais enterozoários, com simetria radial superposta à bilateral, formada por um eixo longitudinal da boca à extremidade distal. São do ramo Echinodermata; têm o corpo revestido de placas calcárias, formando um esqueleto de espinhos externos; sistema vascular aqüifero, e tubos externos em forma de pés para locomoção.
Mas falávamos de reunião. Qualquer leitor habitual da Liga da Justiça conhece isto. Estes caras adoram uma reunião, e acho que é por isso que o macarthismo suspeitou que fossem comunistas. "Oi, Batman, é o Aquaman! Você tá aí? ... Não está mesmo? ... Bom, então, era só pra te avisar que estou marcando uma reunião pra discutirmos a invasão alienígena da semana e a reforma da sede. Vê se não falta, ok?"
A utilidade destas reuniões, um super-herói da Image poderia pensar, é bem duvidosa. Deve ser por isso que Superman e Batman faltam nesta. Sobre isso, é interessante comparar o nível de interesse de alguns membros.
"Ora", deve pensar o último filho de Kripton, "não tenho tempo pra votar outra monção de protesto contra a EC Comics! Estou ocupado salvando o mundo!" Mas é curioso o super, uma vez que já estava ali pelo espaço, não ter reparado no Starro chegando na Terra. Ou reparou? "Que interessante, uma estrela-do-mar gigante vem vindo do espaço, mas não tenho tempo pra isso, tenho que cuidar destes meteoros!"
Caramba, haja meteoro pra manter ocupado um cara com superforça e supervelocidade. Isso tá me cheirando a preguiça mesmo, como se o super soubesse que geralmente estas reuniões não dão em nada. Enquanto isso em Gotham City:
Batman sempre tem isso. Ligam pra ele, "Batman, Darkseid está invadindo a Terra!", ele responde, "Dane-se, minha prioridade é Gotham City, primeiro vou prender este cara que estacionou em lugar proibido, depois ajudo vocês com este ditador intergaláctico sanguinário e ultra-poderoso!" É um cara dedicado a sua comunidade, temos que admirar.
E vejam vocês, enquanto os dois maiores ícones da DC fazem corpo mole, é o Flash que mostra serviço e usa a cabeça pra dar conta de seus afazeres e não faltar à reunião:
Bravo, Flash! Assim é que se faz! Que homem de aço que nada! Maior detetive do mundo uma pitomba! Isso sim, que é super-herói, evita a ameaça e ainda ensina ao leitor o que é um tornado, garantindo o terceiro momento educativo da nossa história!
Vale a pena observarmos ainda um último membro da liga receber o chamado:
Só pode ser um babaca esse Steve Trevor. Tá na cara que essa mulher não quer nada com ele! Que mulher em 1960 recusaria um pedido de casamento de um piloto da Força Aérea Americana? Depois, uma reunião que habitualmente não deve nem ser tão importante, a ponto dos dois mais importantes heróis da terra não verem qualquer urgência em comparecer, serve como desculpa pra ela dar um perdido no cara. Das duas, uma, Steve: ou ela está dando pra um cara desse aí dessa Liga, ou então, amazona e grega, e vinda de uma ilha em que homem nem pode pisar, Steve, eu acho que da fruta que você gosta a moça chupa até o caroço...
Não sei se esta é a primeira aparição do tal jato invisível, mas eu queria entender que diabo de idéia é essa? Afinal, qual a serventia de um avião invisível se você também não for invisível? Afinal, qualquer um poder ver você chegando. a única utilidade que me ocorre é estacionar em local proibido e não ser multado.
Mas, enfim, vamos à reunião. Lanterna Verde e Jonh Jones confirmados. E creio que não deve ser muito simples o Aquaman convencer os outros, afinal, quem daria crédito num cara que se diz amigo de um sujeito chamado "Peter, o baiacu"?
Vocês lembram aqueles episódios do Seinfeld em que o Kramer entrava, tirava um vidro de picles da geladeira, começava a comer e comentava: "Meu amigo, Bob Sacamano, estava num hospício e o eletro-choque não fez efeito por que a sinapses dele eram muito compridas!" Então, fico imaginando o Aquaman entrando, sentando na mesa, e mandando esta: "Meu amigo, Peter, o baiacu, disse que uma estrela-do-mar espacial gigante chegou na Terra e quer conquistar o planeta!" Será que o Flash responderia, "Arthur, não sei o que vocês no mar ficam fazendo pra matar o tempo, mas aqui na superfície estrelas-do-mar não vendem jornais..."
Bom, eis a reunião, com mesa, secretária, ata e informes:
Eis a primeira aparição da sede social campestre da Liga da Justiça da América, localizada numa caverna bucólica nos arredores de Metrópolis (pra vocês verem que o Superman não tem desculpa de não aparecer). Como podem ver, a sede dispõe de biblioteca, estacionamento para aviões invisíveis, laboratório, Lounge com TV de Plasma, tudo num misto de ambiente rústico com instalações de design futurista.
Bem, Aquaman dá o recado, e tiram-se os encaminhamentos:
Tem algo estranho aqui? Deixa eu explicar pra você, leitor, que não está inteirado da luta das minorias no ocidente. O que o Flash quis dizer foi o seguinte: "Eu e o Lanterna, machos, adultos e brancos, podemos cuidar sozinhos dos nossos afazeres. A garota e o E.T. com pinta de negão dividirão uma tarefa, por serem evidentemente menos eficientes." Ainda por cima, é de uma burrice sem par, pois olha o que ele manda o Aquaman fazer.
Ha, ótimo, mas será que ninguém aqui pensou no seguinte, que as tais estrelas-do-mar que Starro deu lá suas vitaminas, eram, de início, criaturinhas cândidas e amistosas dos oceanos, com as quais no Rei da Atlântida mantém as melhores relações de cortesia e favorecimentos? Será que num primeiro contato com elas, Aquaman não seria útil para tentar dialogar e dissuadí-las de cooperar com Starro? Ora, mas! Dialogar! Dissuadir! Quem já viu alguém pensar numa idéia dessas num gibi de super-heróis?
e é isso, por hora: o cenário está armado, os jogadores estão em campo, abrem-se as cortinas do maior espetáculo da Terra. No próximo post, prosseguiremos na análise deste fascinante épico de nosso tempo. Quais serão os planos de Starro? Onde estarão bebendo Superman e Batman? Com quem da Liga será que a Mulher Maravilha está chifrando Steve Trevor? E onde ela terá estacionado seu avião invisível, com aquela cabecinha avoada, a bonitinha?
essa eu encontrei num camelô no catete. não gosto muito destas edições da ebal em preto e branco, nem da fonte que usavam, que mais parecia que alguém tinha posto o gibi numa máquina de escrever. mas essa, pela ingenuidade do editor na década de trinta anos atrás, me pareceu imprescindível: sabotagem? roubo? bandidagem? relaxa, superman, a gente estava quase pensando outra coisa...
quanto ao proprietário anterior do exemplar indigitado, cumpre salientar que foi ele que rasurou a palavra que superman propriamente confessava ser, e de um modo que eu não consigo mais identificar qual seja ela. que será que estava escrito? que mistérios ainda há de surgirem deste sarcófagos de ácaros? pra quem não tiver alergia, disponibilizo o volume para a inquirição pertinente.
Bem, nada de piadinhas por hoje, estou com insônia e vou passar o tempo falando do que estive lendo nas bandas desenhadas e afins.
Pixel Magazine # 4: Nos tempos da não tão saudosa Editora Abril, praticamente só tínhamos almaquinhos com várias histórias de diferentes personagens e não tinha muito como selecionar. Sempre achei uma coisa meio estranha comprar uma revista pra ler Vingadores, Justiceiro, Quarteto futuro e Dr. Estranho, e com o título genérico "heróis da tv". O recado era claro, ou compra tudo ou leva nada. Muita gente reclamava mas a editora dizia o óbvio, alegava os custos de publicação e tudo mais. Pra piorar, doía no nosso orgulho nacional ler em formatinho depois que a gente tinha descoberto qual era o formato das revistas americanas (pense que era a geração que viu a seleção de 82 perder a copa). No entanto, os leitores da Abril tinham uma vantagem que os americanos não tinham, algumas vezes algum editor apaixonado fazia o favor de publicar sagas completas com três ou mesmo quatro histórias em sequência. E mesmo quando não rolava isso, pelo menos um personagem era o carro chefe da revista, com duas histórias em sequência.
O tempo passou, as revistas espicharam de largura, a impressão melhorou, e parece que em tudo não temos o que sentir falta da Abril. Mas tem uma coisa na política editorial da Panini que me aborrece bastante, sobretudo numa época em que a maior parte das histórias é muito ruim. Claro que era de se esperar que se mantivessem os almanaques com mixes de vários personages, mas a editora parece ter a determinação de só publicar uma história de cada série americana, o que levado às últimas consequências gera certos absurdos. Com personagens variados, isso é razoável, mas com o tempo, a Panini começou a fazer uma coisa imbecil e que definitivamente me fez desistir de acompanhar suas revistas de linha. Alguns personagens mais populares, como superman, homem-aranha, batman, têm mais de um título nos EU, que geralmente apresentam arcos diversos. O efeito deve ser estranho, o cara vê o wolverine cair num abismo num gibi, compra outro e tá lá o baixinho bebendo cerveja num bar. Mas pelo menos, quando a série é ruim eles não compram, simples assim, enquanto a gente tem que comprar tudo junto. Pelo menos, poderíamos ter o favor de ler os arcos de um mesmo personagem numa sequência lógica. Mas não, a panini consegue ter uma revista chamada "Batman", por exemplo, com três, ou mesmo quatro arcos simultâneos do mesmo personagem. Para a editora deve ser mais lucrativo, eles podem vender bem treze revistas do personagem porque cada edição tem um e somente um capítulo da chatíssima "silêncio" de jeph loeb e jim lee, que pra mim não vale um tirinha do "urbano, o aposentado", mas que fez um sucesso entre o público de miolo mole, que parece ser a grande maioria.
Enfim, só pra dizer porque não gosto de mixes. no caso da Pixel, me chateia em especial o fato de "Planetary" e "100 balas" estarem sendo publicadas em álbuns pela Devir e agora voltarem a ser apresentadas a conta gotas num almanaque variado ou em edições avulsas mas com grampo. Parece-me um retrocesso.
Por outro lado, entendo os motivos que a Pixel possa ter pra tentar essa política com esse material, que ainda não foi recebido amplamente como "Preacher" e "Sandman" o foram. Além disso, é fato que a Pixel Magazine é o melhor periódico de quadrinhos publicado atualmente no Brasil. Só tem história boa e que empolga de acompanhar. Ver numa só revista alan moore, warren ellis e john cassaday me fez sentir parte de um público de elite, me relembrou publicações clássicas de quadrinhos alternativos e/ou europeus, como a Heavy Metal e a Animal. Eu adorava estas revistas no que elas tinham de variado mas sempre num nível de qualidade de texto e arte, e pensava, "Porque a Marvel e a DC não fazem algo assim?" Veio a Pixel e fez, com o melhor da Vertigo e da Wildstorm.
e não vou contar o que tem na revista, pois começo a ter sono. aqui tem uma crítica pra quem ainda não entendeu o que é bom quadrinho.
Samurai Executor #2: o "Lobo Solitário" de Koike e Kojima era um série estupenda, com capítulos sempre mais fascinantes e que, em princípio auto contidos, iam se interligando numa evolução vertiginosa e imprevisível. Mas tinha um problema que eu consegui antecipar quando faltava uns seis volumes pra terminar: a premissa de vingança do protagonista Ito Ogami era tão sublime que ela só podia render um desfecho perfeito ou absolutamente desapontador e vago. aconteceu o segundo caso e não vou contar o final porque vale a pena ler a série inteira mesmo assim. agora, nesta série, vemos os mesmos ingredientes, histórias fechadas de um mesmo personagem, samurais, as armadilhas e as intrigas da opressiva era Tokugawa, e gente comum tentando resguardar a própria dignidade, o que naquele contexto implicava inexoravelmente na própria sobrevivência. Mas agora não temos mais a ambição sublime da saga de Ito Ogami. Agora o protagonista é Asaemon Yamada, um ronin que executa condenados plebeus e testa espadas. E vive sozinho cumprindo seus deveres com diligência mas também, descobre-se depois, com alguma melancolia. Em cada história, uma pequena charada, dessas que a vida social naturalmente nos apresenta, é resolvida pela astúcia ou pela espada de Yamada, geralmente por ambos. E nisto temos ocasião para saber uma curiosidade ou outra da vida civil do japão daqueles tempos. Será que como "Lobo Solitário" esta série vai evoluir para uma saga com pretensões épicas? Creio que não seria apropriado, é uma série mais doméstica, quase um drama de costumes, merece terminar com um casamento ou uma morte de idoso.
Reed Richards, renomado líder do Quarteto Fantástico, é flagrado achacando um cidadão inocente e destruíndo patrimônio alheio. até onde chegarão os abusos cometidos por estes pretenseso "heróis"? e o pobre rapaz, intimidado pela celebridade, nem se pergunta pelo conserto de sua moto. infâmia!
a capa mostra um homem intolerante e furioso destruindo um veículo automor que hoje seria uma relíquia de colecionador, e causando pânico entre cidadãos que até este momento parecem vítimas inocentes. não, não é um gibi do hulk, se olharmos atentamente para o indigitado terrorista, o que aparece é... não pode ser! superman! o primeiro de todos os super-heróis! aquele que ainda hoje é o padrão de moralidade nos quadrinhos? ele mesmo, em sua primeira aparição, tirando uma onda de bad boy. que feio, hein?
coisas assim não podem fazer bem pra mente das crianças. e nem me venham falar de "Grand Theft Auto", que apareceu agora. três gerações de infantes leitores de gibis nos renderam um mundo governado por george bush e que queima cada vez mais combustível fóssil, acha que valeu a pena? meu filho vai ter mais sorte do que eu e não vai sofrer esta deformação de caráter, vai ler monteiro lobato e friedrich nietzsche: chega de gibis! um país se faz com super-homens e encadernados de capa dura!